RELATO DE PARTO NATURAL HUMANIZADO HOSPITALAR JAN 2021

Vim dividir com vocês meu relato de parto natural humanizado super suave! Minha filha Bianca nasceu com 39 semanas e 2 dias de gestação, em um parto super fisiológico, no hospital em Ribeirão Preto-SP, mas sem intervenção nenhuma!

As 1:30h da manhã do dia 31/01 comecei a sentir as contrações enquanto dormia. Levantei, fui ao banheiro, deitei de novo e as coisas se intensificaram. Baixei um app para monitorar os intervalos e duração das contrações e estavam bem irregulares. Tomei um banho de chuveiro bem demorado, voltei pra cama e a dor só aumentou. Resolvi avisar a Thaiane, nossa enfermeira as 5:30h da manhã, ela me disse para esperar o amanhecer, pois se fosse pródromos quando amanhecesse ia sumir. Tomei mais um banho quente e as dores continuaram, resolvemos que iriamos para Ribeirão para uma avaliação da Thaiane, me esforcei para comer 3 pães de queijo e um copo de suco de laranja entre as contrações. Arrumei o restante da minha mala de maternidade, passei 2 cueiros que lavei no dia anterior e seguimos viagem! Na viagem as dores sessaram. Fiquei triste, pois pensei que seria os pródromos mesmo. 

No exame da Thaiane, ela verificou que o colo estava extremamente fino, fez um descolamento de membrana e de 1/2cm de dilatação passamos para 5cm, mas nada das contrações voltarem. Eu me senti feliz por já estar com 5 cm, a Thaiane também disse que a cabeça da Bianca estava bem insinuada e que se as contrações voltassem a coisa ia evoluir rápido, mas que havia a possibilidade das contrações só voltarem outro dia!

Fomos caminhar no parque para tentar estimular as contrações, mas nada! Estava um dia lindo de calor e começamos a ficar cansados da noite mal dormida e suados, sem contar que o parque em si estava fechado por conta do aumento dos casos de covid e caminhamos apenas em volta dele, na calçada.


Resolvemos ir para um hotel para descansar e aguardar as contrações voltarem, Nelson pediu um almoço para dividirmos, resolvi deitar na cama para descansar, foi só deitar que as contrações voltaram fortes! Resolvi monitorar pelo menos 10 contrações pra ver o intervalo e duração antes de avisar a equipe. O almoço chegou e eu disse pro Nelson engolir a comida, porque a Bianca ia nascer logo! Eu, claro, não comi nada! 


Avisei a equipe, a enfermeira e a doula Claudinha disseram que estavam indo. Ficamos cerca de 1 hora no hotel e já saímos correndo, cheguei no hospital as 13:30h, Thaiane chegou na sequência e já subimos pro quarto. Ela fez mais um exame de toque e eu já estava com 7 centímetros de dilatação, fiquei mega feliz! Ela pediu minha autorização pra fazer uma manobra com a bolsa, que estava um pouquinho “enroscada” na lateral da cabeça da Bianca, ela colocou a bolsa pra dentro de novo, doeu, mas eu respirei fundo e soltei uns gemidos, mas foi super rápido!



A doula chegou e fomos pro banheiro, sentei no chuveiro e elas começaram a encher a banheira, eu estava tranquila e suportando bem a dor, conversávamos entre uma contração e outra, chupei alguns sachês de mel que levei. A fotografa e a dra Flavia, minha obstetra chegaram nesse momento. Meu pé estava ficando dormente e a doula fez massagem, ela me trazia água, me oferecia mais mel, ficou ali comigo no banheiro. Pedi pra ela pra trocarmos o top, eu estava com um branco velho, pedi que pegasse o preto na minha mala. Não sei como, mas esqueci os tops pretos que tinha separado pro parto, acabei colocando um rendado de amamentação que tinha comprado, mas que no final era lindo.



Alguém me chamou pra ir pra banheira, a água estava quentinha, e lá dentro a dor ficou diluída, não menos intensa, mas eu não sentia uma dor localizada, e a dor aumentou, eu parecia sentir os movimentos da Bianca descendo pela minha bacia, doía nas costas também. Nesse momento a dor vinha forte e quando ia embora ainda parecia doer um pouco. Lembro de ficar sentada com as pernas abertas e quando a contração vinha eu levantava meu quadril com as mãos, comecei a sentir os braços doloridos também.



Nesse momento eu foquei tudo na minha respiração, puxava o ar com nariz e soltava pela boca, conforme a dor aumentava eu comecei a vocalizar na saída do ar, não sou capaz de dizer se gritei muito alto, acho que pareciam mais uivos. Lembro de fechar meus olhos pra me ajudar na concentração. A dra Flavia se aproximava pra auscultar o coração da Bianca, e apontava uma luz pra ver como estava evoluindo. Me lembro das conversas das pessoas, das explicações que a dra Flavia dava ao Nelson, respondi a algumas perguntas sobre tomar água e pra deixar a música tocando! A playlist que escolhi foi a mesma que ouvi várias vezes enquanto meditava, se chama Relaxing Classical Music do app spotify, não fui eu que montei, mas amo praticamente todas as músicas dela.



Lembro de ter entrado na banheira as 15h, mas depois disso não tive muita noção do tempo, ainda dentro da banheira comecei a sentir vontade de empurrar, e comecei a fazer força! Abri os olhos e vi o Nelson sentado orando com a cabeça baixa, pensei em Deus também, mas não conseguia rezar!

Percebi que fiz cocô, no inicio tive vergonha, mas a vontade de fazer força vinha naturalmente e eu continuei. Sentia que a cabecinha dela se aproximava, mas não tinha noção de como estava realmente. A dra me chamou para irmos para a banqueta, pois a água da banheira já estava suja pra ela nascer lá, eu sabia que isso era bem normal de acontecer, eu já tinha perguntado pra Thaiane sobre isso inclusive.



Levantei da banheira amparada pela dra e pela Thaiane e fui devagar na banqueta, sentia ela bem próxima, quando sentei e senti as contrações foi bem doloroso, me lembro de chorar e a equipe me lembrando de respirar, nessa hora reclamei da dor e logo senti ela coroar, o famoso círculo de fogo, mas parece que não evoluia, minha força não estava adiantando. Vivi momentos de fraqueza nessa hora, chorei e pensei que não conseguiria, mas não disse isso a ninguém. Liguei minha chavinha da determinação e disse a mim mesma: essa menina vai sair! Comecei a soltar o ar fazendo som de S, igual quando eu treinei os exercícios de preparação do parto, fiz as caretas mais horríveis possíveis e mandei força pra baixo! 

O Nelson já estava a postos pra recebe-lá, eu ouvi a dra dizendo que ela ainda estava na bolsa! Nelson me disse que estava vendo ela e que ela era cabeludinha, isso me deu mais forças pra empurrar! A médica e a enfermeira me encorajavam dizendo pra eu deixar ela vir que ela estava doidinha pra nascer!


Empurrei com toda minha força e a cabeça dela saiu, a essa altura eu não sentia nem dor mais, a dra ajudou a rotacionar o ombrinho dela, eu disse que precisava de um tempo pra respirar, e logo veio a outra contração e mais força, saiu o ombrinho e logo as perninhas, eu senti escorregar tudo, senti cada parte do corpinho dela saindo e só depois disso eu abri os olhos e vi o Nelson segurando aquela boneca toda melecada de vernix, branquinha e ligada pelo cordão umbilical! Alguém falou: 16:35h! E ela veio pro meu colo quentinha! Imediatamente senti a adrenalina daquele momento! As pessoas falavam, mas eu não ouvia quase! Levantei da banqueta com ela no colo e fomos para a cama.



Eu olhava pro Nelson e a gente olhava pra ela meio bobo! Nos deixaram sozinhos no quarto para vivermos nosso momento mais incrível juntos, os três, nossa família, nosso pacotinho de amor chegou!

A Thaiane veio e a colocou no peito pra mamar e lá ficamos por uns 40 minutos, curtindo nossa golden hour. Nesse período a dra veio e olhou que a placenta já parecia estar bem soltinha, me pediu para fazer uma forcinha e ela saiu! Nós olhamos a placenta e a dra fez questão de explicar cada parte pra gente!

Assim que Bianca pegou no peito para mamar o cordão parou de pulsar, e o Nelson cortou o cordão, respeitando esse parar de pulsar naturalmente.

Só depois dessa primeira hora que ela foi levada pro berçário pra pesar, medir e ser limpada do sangue, porque o vernix se mantém ao máximo para proteger a pelezinha delicada. Nossa mocinha chegou com 50,5cm e pesando 3,045Kg.




Eu comi um lanchinho que o hospital preparou, estava varada de fome e depois fui pro banho, foi maravilhoso, eu estava me sentindo muito forte, psicologicamente e fisicamente! No banho as enfermeiras do hospital me ajudaram, pois eu poderia me sentir um pouco tonta, mas me senti muito bem! Depois disso já fomos pro quarto, eu Nelson e a Bianca! Loucos para espalhar a novidade pras famílias.

A dra me examinou e disse que eu tive uma pequena laceração de grau 1, que só pega pele e mucosa, e que não necessitava de pontos! Perdi pouco sangue, e que o fato dela ter nascido dentro da bolsa num parto normal é bem raro, algo em torno de 1%, e que isso ajudou para que o parto fosse suave! Foi um parto 0 intervenção, onde eu não precisei tomar nadinha, nem soro, nenhuma picada!


Eu não tenho nem palavras pra expressar a gratidão de ter tido o parto tão abençoado! Eu sempre visualizei meu parto como uma experiência positiva e nunca senti medo ou ansiedade, mesmo no dia, me lembro de quando as dores começaram na madrugada, fiz minhas preces a Deus e senti uma felicidade que me fez encher os olhos de lágrimas, minha filha estava chegando, que dia incrível seria aquele, um dia pra nunca mais esquecer!


Escrevo aqui esse relato tão íntimo para encorajar as futuras mamães de que nós somos muito fortes e que toda preparação e escolha de uma equipe que respeita o nascimento faz toda diferença! 



Equipe maravilhosa do Instituto Geração Mãe @institutogeracaomae


Enfermeira OB: Thaiane Guerra Caetano @thaianeg_caetano

Obstetra: Dra Flavia de Aguiar Mendonça @draflaviadeaguiarm

Doula: Claudia Loureiro @claudialoureirofisio

Pediatra: Dra Carol Hallak @dracarolhallak


As fotos são da Fer Tavares @fer_tavares_fotografia


Claro que tive outras profissionais que me auxiliaram na preparação do parto, mas isso pode ser assunto para outro post, me avise se tiverem interesse!


XOXO.

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